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domingo, julho 30, 2006

LISTA DE FURNAS

A revista "Caros Amigos"(http://carosamigos.terra.com.br), no. 112, deste mês de julho, publicou a lista de Furnas acompanhada de uma pequena entrevista com o deputado estadual do PT de Minas Gerais, Rogério Correa, que dá a sua versão à jornalista Marina Amaral a respeito dos documentos.

A lista contem os valores que cada candidato recebeu mas, infelizmente, não especifica os partidos aos quais pertencem. Podemos constatar que ali o Dimas teve a preocupação de listar os principais doadores, datar e assinar o documento.

Podem ser vistas no documento, também, anotações relativas a certas doações tais como:

"Valor avulso repassado para Andréa Neves, irmã de Aécio Neves, para os comitês e prefeitos do interior do Estado - MG R$ 695.000,00."
"Zezé Perrela R$ 350.000,00 (autorização Aécio Neves)"

quinta-feira, julho 13, 2006

África - Brasil












“Parece que não aconteceu nada, que a África é pobre porque é um continente negro; que a África é pobre porque não tem escola; que a África é pobre porque não tem desenvolvimento e ninguém assume a responsabilidade de dizer que a África é pobre porque durante mais de 300 anos mulheres, crianças e jovens eram tornados escravos para construir algumas das nações que são ricas hoje".

quarta-feira, julho 12, 2006

Livro traz balanço do governo Lula

A Liderança do PT na Câmara lança hoje o livro "Governo Lula: a construção de um Brasil melhor - a verdade dos números". A publicação traz um balanço das principais realizações do governo do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

"Os dados revelam que um governo, quando comprometido com o interesse nacional e popular, pode fazer avançar, e muito, as condições sociais e econômicas de um país", afirma o líder petista, deputado Henrique Fontana (RS), no texto de abertura. O lançamento está marcado para as 11h, em local a ser definido.

Agoniza, mas não morre....

terça-feira, julho 11, 2006

O ponteiro da desigualdade social move-se pela primeira vez

por Emir Sader, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj

O governo Lula produziu uma melhora considerável na classificação econômica dos eleitores a partir de 2003, diz pesquisa Datafolha, publicada pela Folha. Segundo esse levantamento, cerca de 6 milhões de eleitores saíram da classe D/E, sendo que a maioria deles migrou para a C.

DUAS PESQUISAS IMPORTANTES
As manchetes da Folha de São Paulo e do Globo deste domingo falam sobre a transferência de 6 ou 7 milhões de brasileiros para a classe média. O governo Lula produziu uma melhora considerável na classificação econômica dos eleitores a partir de 2003, diz pesquisa Datafolha, publicada pela Folha. Segundo esse levantamento, cerca de 6 milhões de eleitores saíram da classe D/E, sendo que a maioria deles migrou para a C. A manchete do Globo afirma: “Sete milhões de pessoas sobem para classe média”. Segundo a matéria, mais de dois milhões de famílias brasileiras conseguiram ascender na pirâmide do consumo este ano e chegaram a classe média, o que representa cerca de sete milhões de pessoas.As duas pesquisas oferecem três questões importantes para debate:


a) Para a direita: como propor “desenvolvimento, emprego e renda”, melhor do que isso? Pela primeira vez se altera o ponteiro da desigualdade social no Brasil;


b) Para os críticos de esquerda: como são possíveis políticas sociais de efeito tão significativo, sem mudar a política econômica?


c) Para o governo: esgotou-se a forma de melhoria social, sem mudar significativamente a política de emprego (que, na situação atual, gera mais emprego formal, mas de muito baixo nível).


Emir Sader, professor da Universidade do Estado do Rio de Janeiro e coordenador do Laboratório de Políticas Públicas da Uerj

Lula defende união continental e prevê que Bolívia estará no Mercosul em breve

Marcos Chagas Enviado especial

Caracas - O presidente Luiz Inácio Lula da Silva não se limitou a ler seu discurso na cerimônia de adesão da Venezuela ao Mercosul, ontem (4), em Caracas. Com um improviso que rendeu fortes aplausos, Lula fez uma enfática defesa da integração sul-americana e da inevitabilidade do aparecimento de divergências nesse processo, numa referência aos desencontros que vira e mexe ocorrem entre os países, como a recente crise do gás com a Bolívia.


Lula arrancou um discreto sorriso de Hugo Chavez, presidente da Venezuela, ao afirmar que, quando assumiu o governo brasileiro, o colega "estava só". E seguiu defendendo a união dos vizinhos nas questões de âmbito internacional. "Nós, todos nós, mesmo nas divergências, compreendemos que seremos mais fortes nos organismos internacionais. Seja na ONU, onde defendemos a participação da Venezuela como membro efetivo do Conselho de Segurança, seja na OMC".

Em relação à Organização Mundial do Comércio, onde o Brasil negocia atualmente a liberalização comercial da Rodada de Doha, ainda sem sucesso, o presidente reconheceu que os países em desenvolvimento ainda não conseguiram todos os resultados desejados, mas frisou: "Os ministros das Relações Exteriores aqui presentes sabem que nenhum ministro da América do Sul foi respeitado lá fora como eles são respeitados hoje".

Lula afirmou que anos atrás, antes de ele assumir a presidência do Brasil, Nestor Kirchner a da Argentina, Nicanor Duarte a do Paraguai e Tabaré Vázquez a do Uruguai, pouca gente acreditava no Mercosul nestes países. "Acreditavam na velha política de privilegiar os EUA e a Europa e virar as costas para nós mesmos. Tivemos que enfrentar barreiras ideológicas e comerciais. Hoje estamos aqui para dizer que não queremos briga com ninguém. Antes de tudo, descobrimos que somos irmãos e parceiros no Mercosul".

O presidente brasileiro defendeu a consolidação de uma relação forte para que eventuais mudanças de governo não impliquem em mudanças de relação de estado para estado. "Nós temos de ter mais cumplicidade. Precisamos dizer em alto e bom som, que não temos medo das divergências. Tememos, sim, a omissão, que por muito tempo prevaleceu no nosso continente".

"Este protocolo (de adesão da Venezuela) é mais um documento que garante comércio mais justo, que permite a nossos empresários fazer negócios. Ele é a concretização de um sonho de milhões de latino-americanos, que um dia sonharam que era possível fazer a integração", disse o presidente brasileiro, que deixou claro onde deve ser a próxima cerimônia do gênero: "Não está longe o dia em que estaremos em La Paz para que a Bolívia também venha a aderir ao Mercosul". A Bolívia tem atualmente o status de país associado ao bloco.



O Lula é culpado!

Poeta Silas Correa Leite
publicado no Blog do Naza

"Culpado de não ter estudado, de não ter feito universidade e nem ter títulos acadêmicos; de ser nordestino de origem cabocla e humilde, de ser operário aleijado por uma máquina; de ser pobre e ainda assim dirigir melhor o Brasil S/A do que a corja neoliberal que o antecedeu impune e vergonhosamente no poder, caterva formada por máfias e quadrilhas de privatarias (privatizações-roubos); de incompetentes, corruptos e ladrões ordinários que inventaram o mensalão para pagar o rombo do PROER de bancos ligados ao crime organizado do lucro amoral, e a re-eleição roubada do ególatra ex-sociólogo, todos bem posudos e falantes, bons de estudos e dialéticas que assim insensíveis acabaram néscios e apoiados por parte de uma midiota, e que nos suspeitos tempos palaciais tenebrosos conspiraram contra a maioria absoluta da população de milhões de brasileirinhos carentes e excluídos sociais, que na verdade deveriam ser a própria razão de ser de um estado público.

O Lula é culpado!
Culpado principalmente de ocasionalmente fazer parte do mesmíssimo viciado jogo político-eleitoreiro e de governabilidade; de clandestino concluo com os sórdidos bastidores do poder que sempre foi o mesmo dos decrépitos tucanos canalhas que o precederam, mas, estranhamente antes passaram em brancas nuvens na imprensa denuncista e na justiça tendenciosa, entre tramóias tucano-liberais de riquezas injustas, lucros impunes, infames novosricos, que sujamente antros palaciais e valeram-se do abuso de poder, de estelionatos de planos econômicos dúbios e oligopólios eleitoreiros, mas o Lula não, o Lula não pode, o Lula é culpado até de sonhar em querer mudar o que não deve ser mudado, para sorte dos mesmos desde 1500 e que voltarão depois ainda mais podres e historicamente nefastos, nivelados por baixo, jogando mentiras no ventilador das aparências que enganam, corvos das instituições democráticas.


O Lula é culpado!
Culpado por manter a inflação sob controle ? pensaram que com ele tudo iria despencar e iriam ganhar muita grana suja ? culpado por manter a cotação do dólar lá embaixo ? acharam que ele era estúpido como os estúpidos Fernandos (o janota e o ególatra boçal) ? e o dólar iria lá nas nuvens; culpado porque o Risco Brasil com o Lula tido como inexperiente iria quebrar bolsas e fundos ? mas com ele ficou melhor do que com todos os outros governos civis anteriores juntos; aliás, no governo anterior tachado de tão certinho (pra quem?) era exatamente o contrário, inflação alta, dólar alto, risco Brasil alto, mas tudo ficou por isso mesmo (quem ganhou com isso?), só o Lula não pode dar certo, é inaceitável, o Lula não pode errar, se não errar a gente inventa e AUMENTA (e veicula na mídia tendenciosa e parcial à exaustão para os tolos e incautos serem dopados como foram na Era Collor acreditando em meias mentiras ou verdades inventadas sem provas), sim, vamos culpar o LULA por 505 anos desse Brasil varonil deitado eternamente em berço esplêndido, só sendo rico para os ricos, para os pobres não. O Lula não pode, não ele, não agora, não assim. Vamos montar um circo de hienas contra ele e o Zé Dirceu.


O Lula é o culpado!
Culpado por ser simples como todo brasileirinho, de ter as mãos bem mais limpas que os seus sujos acusadores (nenhum de seus acusadores é honesto cem por cento); de não ser uma banana como um antigo ex-comunista, ex-sociólogo, ex-ateu babaquara como FHC o Pai da Fome, nem ser como esse mesmo sem-vergonha que quebrou a classe média, vendeu as lucrativas empresas públicas, deu lucro para um bando de ladrões tupiniquins e agiotas do capital estrangeiro (criando news rics tucanos), e para fazer tanta sujeira esteve bem mancomunado com uma reacionária mídia baseada em podres poderes de capital volúvel em bandas cambiais de paraísos fiscais. Todos podem tudo. Mas o Lula não pode nada. Por isso o Lula é culpado. O capitalhordismo americanalhado e a corrupção que bancam tudo isso desde 1500, não querem o Lula e o PT no poder. Se fosse um doutor ou um general seria um gênio o governo atual. Mas o Lula não. O Lula não pode. O Bush é mais burro do que o Lula, mas incompetente do que o Lula, no seu hitlerismo violento mais nefasto do que o Lula, mas ele pode, ele está do lado certo, ele defende o império do inumano capital insano, o Lula está do lado errado, está do lado dos que têm que aceitar a miséria.


O Lula é culpado!
Fizeram o Jânio Quadros renunciar, o João Goulart ser deposto, o Getúlio Vargas se matar, o Lula não pode dar certo como vem surpreendentemente dando ? e ainda tudo isso apesar de tudo com um foro suspeito de denuncismo sem provas e denunciadores sem moral ? imaginem se o deixassem governar em paz? Pobre, nordestino, ex-peão de fábrica não pode continuar acertando assim, é uma vergonha pra burguesia insensível e démodé, operário não tem o direito de tentar acertar em médio prazo uma redistribuição de renda, quando outros tentaram e foi uma sujeira só, tudo ficou por isso mesmo. Antros de escorpiões têm que fazer com o Lula o mesmo que fizeram com outros esquerdistas que tentaram mudar o Brazyl S/A e foram alijados do poder de forma torpe e amoral por abutres do arbítrio, os corvos da democracia, hienas do retrocesso humano com um neoliberalismo globalizado que quer tomar a Base de Alcântara, a Alca e a Amazônia, e com o Lula vai ser impossível.


O Lula é culpado!
Vamos trazer de volta o bando de canalhas que estava lá (nunca vi uma pessoa que preste falando mal do Lula), e ainda estão de alguma maneira reinando, rifando egos e dando cartas maquiavélicas nos podres porões palaciais, entre canalhas de paletó, terno, gravata, toga, túnica, soldo, dólmã-de-tala; os corruptos e ladrões que ainda de forma camuflada mandam em tudo, estão bem enraizados por séculos em clãs lá, e têm medo de não fazerem falta; já pensou? - perderem poder, perderem mando, perderem o status quo. Não é possível isso. Corruptos unidos jamais serão vencidos. Liberais bandidos, jamais serão banidos.
O Lula não é culpado se o PSDB se aliou ao PCC e tem agiotas de banqueiros-quadrilhas neoliberais que o atacam porque tem interesses escusos para os cofres públicos.


O Lula é culpado?

E os Direitos Humanos do Lula?

"Quando a economia capitalista entra em colapso, e a classe trabalhadora marcha para o poder, então os capitalistas se voltam para o fascismo" - (Leo Huberman, in, História da Riqueza do Homem, Zahar Editores)"

...sou brasileiro, neste ano 200 mil e no ano que vem 400 mil filhos de pedreiros, merendeiras, domésticas, garçons, ambulantes, copas, arrumadeiras, faxineiras, garis, motoristas, cobradores, zeladores, porteiros, ascenssoristas, soldados, manicuras, carcereiros, vigias, taxistas, feirantes, sacoleiros, serventes, prostitutas, barbeiros, padeiros, escriturários, babás, cozinheiros(as), eletricistas, mecânicos, encanadores vão se tornarão engenheiros, médicos, advogados, físicos, bachareis, dentistas e ocuparão o espaço dos filhos da elite do Brasil!! isto é Lula, isto é Nação Brasileira!! isto é PT!! ésta é a culpa do Lula! ...abraço do amigo João Gabriel!!"

http://blogdonaza.blogspot.com/

A não-reportagem ininformativa

por Fernando Soares Campos
La Insignia

A não-reportagem ininformativa Fernando Soares CamposLa Insignia. Brasil, julho de 2006. O jornalismo brasileiro inaugura a "não-reportagem ininformativa". Trata-se de uma dinâmica inatividade jornalística que se ocupa dos fatos que, se tivessem ocorrido, teriam acontecido. É um desses corriqueiros fenômenos inexplicavelmente fáceis de serem incompreendidos. Imagine o repórter chegando à redação e o chefe lhe perguntado:

- E aí, conseguiu alguma coisa?
- Nada! - responde animado o repórter.
- Ótimo! - diz o chefe.
- Cadê o não-material?
- Tá aqui, ó - entrega-lhe um disquete.

O chefe introduz o disquete no micro, abre o documento e lê comentando em voz alta:

- Nada sobre a viagem do Zé Dirceu à Bolívia, nenhum detalhe sobre o que ele falou com Evo Morales, nem mesmo sobre o que não falou. Também nenhum detalhe sobre sua possível viagem aos Estados Unidos... Necas de pitibiriba sobre o que fez no México; se é que foi realmente ao México. Nenhuma informação sobre seus não-clientes. Dirceu nega que não se encontrou com Evo...
- Não, chefe - corta o repórter -, ele nega que tenha se encontrado.
- Então ele confirma que não se encontrou. Ótimo!
- É, acho que dá no mesmo. - Bulhufas sobre o diálogo de Dirceu com Eike Batista.
- Mas, em compensação, a diretoria da siderúrgica EBX, de propriedade do Eike, não confirma nem nega se o Dirceu foi ou é contratado daquela empresa.
- Nesse caso, se ele foi, é ou será colaborador da siderúrgica, pode ter, ou não, viajado no jatinho da empresa.
- Demais, chefe! Só o senhor mesmo poderia chegar a essa conclusão!
- Mas.. - o chefe localiza alguma coisa na tela - que empresa é essa aqui?!
- Qual? - "José Dirceu & Associados"...
- Deve ser a empresa à qual o Zé Dirceu se associou. Certamente está no nome de algum laranja. Pelo nome da firma, sem dúvida é um parente, talvez...
- É provável, é provável... Huuummm... Quer dizer que o Dirceu nega que tenha negociado a questão do gás com Evo Morales, em nome do governo Lula?
- Não, chefe, ele não nega! - Não?! - Não, mas também não confirma.
- Ah, sei, sei... - Mas a ministra Dilma Rousseff entregou o jogo.
- É?! - Tá tudo aí.

O chefe rola a página na tela do monitor e lê a declaração da ministra:

- "A relação com os bolivianos é feita por meio de canais diplomáticos, do Itamaraty, do Ministério das Minas e Energia e da Petrobras, no que se refere à questão do gás".
- Viu?! Eles agem em conluio! - diz o repórter.
- Tá muito bom. Parabéns! Vai para a página policial. Finalmente, os dois relaxam e mudam de assunto, enquanto tomam um cafezinho.
- Pô, chefe, o Silvio de Abreu bem que poderia ter aproveitado essa matéria para fechar com chave de ouro a trama da novela Belíssima.
- É verdade, é verdade...
- Ia dar o maior ibope!
- Pois é, já pensou?! No final, Bia Falcão, Medeiros, Ivete, Mary Montila, André...
- ... a dona Tosca, Valdete, Seu Aquilino, o Alberto...
- Isso, isso! Todos eles entrando, apoteoticamente, no Congresso Nacional...
- Corta para um helicóptero decolando dos jardins do Palácio do Planalto, sobrevoando Brasília e produzindo uma chuva do nosso jornal... Ah! - suspira o repórter.
- Um exemplar caindo em câmera leeentaaa...
- A manchete em detalhe... O chefe ergue os braços e, com os indicadores e polegares formando ângulos retos, simula o enquadramento da cena e fala pausadamente:

- "Dirceu não revela o que foi fazer na Bolívia"

P.S.: use o link para continuar a leitura...
http://www1.folha.uol.com.br/folha/brasil/ult96u80175.shtml

07/07/2006 - 10h12
Dirceu não revela o que foi fazer na Bolívia
RUBENS VALENTEda Folha de S.Paulo

‘Este reajuste é politiqueiro’

Chamando de politiqueira a decisão do Congresso de conceder reajuste de 16,67% para os aposentados que ganham acima de um salário-mínimo, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva justificou sua decisão de vetar o aumento ontem, durante almoço no Itamaraty, afirmando que não pode se preocupar com um eventual desgaste eleitoral. Para os aposentados e pensionistas do INSS que recebem mais de um salário-mínimo, a proposta do governo é de um reajuste de 5%.

-Eu não posso ficar preocupado com problemas político-eleitorais. Tenho que ter responsabilidade orçamentária, e não há recursos no Orçamento para este reajuste — disse Lula, referindo-se ao gasto extra de R$ 7 bilhões que o reajuste de 16,67% para todos os aposentados provocaria nas contas do Tesouro só este ano.

“Os aposentados nem reivindicaram”
Evitando demonstrar preocupação com um eventual desgaste eleitoral decorrente do veto, o presidente Lula recordou que o aumento do salário-mínimo para R$ 350, que representa um reajuste real de 13%, foi negociado pelo ministro do Trabalho, Luiz Marinho, com todas as centrais sindicais. Da mesma forma que o reajuste de 5% foi resultante de acordo do Ministério da Previdência com diferentes associações de aposentados.

-De repente as pessoas lá no Congresso resolveram incluir coisas impossíveis na medida, como este aumento. Elas conhecem o Orçamento, sabiam o que estavam fazendo. Este reajuste é tão politiqueiro que nem os aposentados reivindicaram. Eu tinha que vetar, tenho que ter responsabilidade, a Previdência já tem um rombo muito grande — afirmou Lula, após almoço oferecido ao presidente de Gana, John Agyekum Kufuo.”

http://nogueirajr.blogspot.com/

segunda-feira, julho 10, 2006

Com o governo Lula Brasil desconcentra Renda

Por Bernardo Joffily

O jornal Folha de S. Paulo deste domingo (9) revela números do instituto Datafolha que mostram uma visível desconcentração de renda no Brasil entre 2002 e 2006. A matéria tem m um título ardiloso, “Lula promove 6 milhões de eleitores para a classe C”, e a pesquisa usa os duvidosos critérios quantitativos da sociologia americana. Mesmo assim – veja o gráfico – mostra que a camada mais pobre dos brasileiros diminuiu de 46% para 38%, enquanto a média aumentou de 32% para 40%
Fonte: `Folha de S. Paulo´

Os dados fazem parte da mesma pesquisa (com dados coletados em 28 e 29 de junho) que mostra Lula com 46% das intenções de voto, reelegendo-se no primeiro turno (todos os demais candidatos somam 39%), com votos que se concentral no eleitorado mais pobre.



Dados sociais e eleitorais coincidem
Não é por acaso que os dados sociais e eleitorais coincidem: basicamente, uns explicam os outros. “A melhora no consumo e nas expectativas dos eleitores mais pobres explica em grande medida o favoritismo do petista, que hoje venceria no primeiro turno”, admite a matéria da Folha.


Segundo o Datafolha, 37% dos pesquisados passaram a consumir mais alimentos; 31% reformaram a sua casa; e 49% acham que sua situação econômica vai melhorar. Em 2002 eram 38%.


Desde 1994, nunca foi tão baixo o percentual reclama do seu poder aquisitivo, diz o Dastafolha: “Hoje, 28% acham ‘muito pouco’ o que a família ganha. Eles somavam 45% antes da posse de Luiz Inácio Lula da Silva.”


O estudo classifica os cidadãos conforme o critério quantitativo, que se baseia nas feixas de renda e consumo, em “classe A/B”, “classe C” e “classe D”. A última, que forma a base da pirâmide, em 2006 deixou de ser a mais larga, possivelmente pela primeira vez.



A ginástica editorial da Folha

O editor da matéria viu-se obrigado a fazer alguma ginástica para não deixar que a pesquisa sirva como uma quase propaganda eleitoral de Lula. Para isso, teve de recorrer a fontes e enfoques sem relação com a pesquisa do instituto – que, no entanto, pertence ao mesmo grupo empresarial do jornal.


Entre as contorções, recorre-se até aos estrudos de Márcio Pochmann (economista da Unicamp e ex-secretário municipal do Trabalho em São Paulo na gestão Marta Suplicy), sobre o aumento da renda financeira dos ricos. Pochmann tem sido um crítico consequente e implacável do modelo neoliberal, ontem e hoje. Mas, curiosamente, a reportagem da Folha não pediu que ele comentasse os dados do Datafolha.


Com visível má-vontade, no pé da segunda página dedicada ao assunto, o jornal admite que “um cenário econômico positivo” está entre as causas da melhora na renda do eleitor. Cita o aumento dos benefícios da Previdência e programas sociais como o Bolsa-Família, mas por fim reconhece: “Os reajustes do salário mínimo acima da inflação (32,2% desde 2003), mais empregos (3,9 milhões formais), mais oferta de crédito e a queda da inflação (de 9,3% em 2003 para 4,5% projetados este ano) também têm forte peso”. Recorre porém a “analistas ouvidos pela Folha” para prognosticar que os benefícios não continuarão em 2007.


http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=4942

sexta-feira, julho 07, 2006

Governo Lula deverá superar a marca dos 10 milhões de empregos

O governo Lula já gerou mais de 4 milhões de empregos com carteira assinada de janeiro de 2003 até maio de 2006, 4.191.033, para ser mais exato. Apenas nos cinco primeiros meses de 2006, 768.343 trabalhadores conseguiram ocupar novas vagas de emprego com carteira assinada.

Para que se compreenda melhor o que isso significa, basta lembrar que nos oito anos do governo FHC foram gerados apenas 806 mil novos empregos no país.
A partir de uma conta simples pode-se chegar a seguinte comparação (clique no gráfico para ampliá-lo):

- Governo Lula: 102.220 empregos formais por mês (41 meses)
- Governo FHC: 8.405 empregos formais por mês (96 meses)

Cálculos acadêmicos permitem que se considere para fins de estimativas que para cada emprego formal gerado pode-se considerar que outro 1,2 emprego é gerado no setor informal, ou seja, considerando os empregos gerados de janeiro de 2003 a maio de 2006, o governo Lula, já teria gerado algo próximo a 9,220 milhões de empregos, entre formais e informais.

A estimativa de geração de empregos para o ano de 2006 é de aproximadamente 1,5 milhões de empregos e, caso seja confirmada, o presidente Lula encerraria a sua gestão com a marca de 10,8 milhões de empregos criados, superando a projeção feita durante a campanha eleitoral em 2002.

Dados: Cadastro Geral de Empregados e Desempregados (Caged).
http://minhapolitica.blogspot.com/

Santo de bordel

por Eduardo Guimarães

O que mais se contesta hoje na imprensa brasileira é que ela age com partidarismo político em benefício principalmente do mais importante partido de oposição ao governo Lula, o PSDB. Certa vez, conversando com o ombudsman da Folha, Marcelo Beraba, por telefone sobre uma de minhas queixas ao partidarismo do jornal, sem argumento para rebater minha queixa ele me propôs que imaginasse o que seria se um jornal como O Globo tivesse ombudsman. Respondi-lhe que essa pessoa não conseguiria manter o emprego, e ele concordou...

A finalidade deste texto, então, é analisar o que considero hoje o pior emprego de jornalista deste país, o de ombudsman da Folha. E por isso quero até fazer uma homenagem ao jornalista marcelo Beraba, um profissional que vem ganhando meu respeito dia após dia desde que assumiu a tarefa espinhosa de criticar um veículo que vem abandonando, um a um, todos os princípios éticos e jornalísticos que o alçaram à condição de maior jornal do país. A degradação da Folha, ao aproximar-se das práticas político-partidárias de uma Veja, de um Estadão ou até de um temido (por Beraba) O Globo, tem levado o ombudsman da Folha, algumas vezes, a uma indignação que às vezes parece que vai explodir. Leiam a crítica interna que ele publica de segunda a sexta-feira na internet, em sua edição de 4 de julho último, e que versou sobre a falta de pluralidade do jornal, preceito que a Folha inseriu em seu Manual de Redação e que diz que integra seu Projeto Editorial:

"Cotas
É um absurdo o tratamento dado hoje pela Folha à discussão sobre os projetos que instituem a Lei de Cotas e o Estatuto da Igualdade Racial.


1 - A Folha publicou, na quinta-feira passada, a íntegra do manifesto "Todos têm direitos iguais na República", contrário aos dois projetos de lei. Ontem, foi divulgado o "Manifesto em favor da Lei de Cotas e do Estatuto da Igualdade Racial", também assinado por intelectuais e artistas.Por que não foi publicada a íntegra do novo manifesto? E o pluralismo? Não foi garantido o mesmo tratamento para as duas posições.

2 - O infográfico publicado na página C4 que ilustra o texto "Intelectuais fazem manifesto pró-cotas" é um equívoco, porque destaca os signatários (celebridades) e não os principais trechos dos manifestos (conteúdo, idéias, argumentos).

3 - Não há na página um resumo da Lei de Cotas e do Estatuto. Como o leitor pode entender a discussão e se posicionar?

4 - O assunto merecia uma chamada na Primeira Página, embora não com o enfoque equivocado da reportagem publicada em "Cotidiano".Conclusão: o leitor da Folha está mal informado sobre um assunto difícil, que divide a sociedade e que deverá ser definido em breve no Congresso.

O mínimo que o jornal pode fazer agora é publicar a íntegra do novo manifesto para que seus leitores possam se informar e tomar posição"

Diante de uma crítica como essa feita por um profissional que a Folha investiu da responsabilidade de criticá-la colocando, nessas críticas, o peso de sua reputação, fico mortificado ao ver a resposta que Marcelo Beraba obteve do jornal. Não há dinheiro que pague o prejuízo de imagem que alguém pode ter ao ser desautorizado como a Folha desautorizou seu ombudsman ao não dar a menor bola à crítica que ele fez e nem ao menos ter-lhe dado uma explicação como costuma fazer em outras questões. A Folha não só não deu bola à crítica de seu ombudsman como também parece que decidiu zombar dele. No dia seguinte (5/5) ao da crítica interna que reproduzi acima a Folha não só não publicou o manifesto em favor das cotas como aumentou a falta de pluralidade publicando um editorial que insinuou que não seria preciso dar espaço ao ponto de vista de quem apóia as cotas, porque esse ponto de vista seria tal e tal, e citou a opinião divergente como quis. No terceiro dia, além de praticamente só publicar cartas de leitores contra as cotas em sua edição eletrônica, a Folha publicou sobre o assunto em sua versão impressa apenas um artigo de Demétrio Magnoli, naturalmente no espaço nobre (pág. A2) e contrário às cotas étnicas nas universidades.

Foi um jornalista que certa vez me ofereceu uma metáfora excelente sobre o papel do ombudsman Marcelo Beraba na Folha de São Paulo. Ele seria como aquelas imagens de santos (que representam valores como a castidade) que são exibidas ostensivamente em prostíbulos.

http://edu.guim.blog.uol.com.br/

Blog Brasil Brasil

por Nogueira Jr.

@-A história de uma pessoa não pode ser contada do meio para o fim, pela metade, mas a lembrança pode fazer esta licença poética. Dante do MR8, Dante das Diretas já, Dante do MDB e a sua ala mais “radical”, Dante amigo do Lula, Dante das causas populares. Este Dante fica na memória!
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@-O que ficou na memória dos “amigos” do Dante: o Senador, o Governador, o Ministro. O velório estará repleto de autoridades e amigos para lembrar a trajetória e a grandeza política do morto.
.
@-Ouço e leio economistas e analistas tucanos por três anos e meio. A ladainha continua: “surpresa na economia brasileira”, “o índice surpreendeu”, “não era esperado este aumento de vendas”, não é possível! “Ontem IBGE divulgou a produção industrial de maio acima da previsão e puxada pelos bens de capital” disse a economista tucana Miriam Leitão. Dona Miriam a senhora não cansa de surpreender-se com o bom desempenho da economia?
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@-A construção civil também vai “surpreender” a economista Miriam Leitão, e o PIB deste ano será uma boceta de Pandora para a colunista do O Globo! Tudo foi por causa da sementinha do FHC.
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@- “Tirinha” de colunista: “Geraldo Alckmin quer o veterano Antônio Carlos Magalhães a seu lado, de qualquer maneira: agora, acaba de gravar uma participação especial no programa eleitoral do PFL da Bahia, onde rasga elogios ao deputado ACM Neto, candidato à reeleição. O tucano considerou o neto de ACM uma das maiores revelações da política nacional dos últimos tempos.” Giba Um
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@-O Senado convidou o “dramaturgo” Silvio de Abreu, autor da novela "Belíssima", para ouvir do novelista uma palestra sobre ética! Desculpem leitores do blog: AHAHAHAH
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@-Matéria de capa do jornal Folha de São Paulo: “Lula dobra o seu patrimônio”. A Folha esta cumprindo o seu papel político partidário, nada mais.
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@-Alckmin declarou ao TSE ter vinte bezerros! Daria uma boa manchete de capa Folha. Será que já desmamaram?


http://nogueirajr.blogspot.com/

quinta-feira, julho 06, 2006

O jabuti em cima da árvore

por Luiz Weis

A manchete da Folha de hoje é um prato-feito para os que acreditam no complô da mídia contra o presidente.

Não há nenhum fato fora do lugar no título “Patrimônio de Lula dobra na Presidência” ou no sub “Bens pessoais declarados à Justiça Eleitoral somam R$ 839 mil; 56,6% estão em aplicações financeiras”.

Fora de lugar está a notícia.

Primeiro, porque o espaço mais nobre que existe em um jornal para divulgar informações – o alto da primeira página – merece obviamente informações de importância compatível com o destaque que se lhes quer dar.

O que não é o caso da evolução patrimonial de Lula. Tendo casa, comida e roupa lavada de graça, pode colocar no cofrinho tudo que recebe no fim do mês. E com os juros do Banco Central, o presidente-rentista não tem do que se queixar.

Segundo, e mais grave, porque – tenha sido esse ou não o efeito desejado por quem decidiu pôr o jabuti em cima da árvore –, no Brasil banhado em corrupção política, a reação instantânea do leitor ao deparar com a manchete sensacionalista tem tudo para ser: “Ahá! Aí tem!

Todos os jornais deram o patrimônio declarado à Justiça Eleitoral pelo presidente e seus adversários. Mas nem o Estado, nem o Globo acharam que a informação tinha sustança para entrar na primeira página – mesmo como simples chamada.

O Estado foi de inflação e o Globo de previsão de gastos eleitorais de Lula e Alckmin. Ganharam o dia meramente por terem poupado os seus leitores de um títulão que parece lançar a suspeita de que alguma maracutaia o presidente deve ter feito para multiplicar por dois os seus bens desde que foi trabalhar no Planalto.

Se o patrimônio de Lula dobrou, como ficará, depois dessa manchete, a variação do patrimônio de credibilidade da Folha?


A Folha conseguiu ultrapassar o Estadão no quesito partidarismo. O jornal compete com a Veja para assumir a linha de frente da candidatura tucana.

O Blog da Reeleição recomenda: o editorial da Folha é prejudicial à saúde. Procure não ler de estômago vazio.

João

quarta-feira, julho 05, 2006

Recordar é viver...

Acessem o link abaixo e relembrem os escândalos das privatizações durante o governo FHC.

Ao ler essa matéria da revista Época, conclui-se que Delúbio Soares é a Madre Teresa de Calcutá perto de Ricardo Sérgio, ex-tesoureiro tucano. E ainda tem a coragem de dizer que o atual governo é o mais corrupto da história. Mentira. Nada se compara a farra das privatizações durante a gestão tucana.

Aonde estava a indignação midiática durante esses escândalos? Aonde estavam os porta-vozes e defensores da opinião pública? Alguém lembra do Arnaldo Jabor perseguindo o FHC dia após dia? Alguém reclamou do rolo compressor tucano anti-CPI? O Boris achava "isto uma vergonha"? Clamaram por impeachment do FHC?

Claro que não.

http://www.informante.net/resources.php?catID=17&pergunta=2090#2090

João

Bolsa Família

"É assistencialismo para quem toma café de manhã, almoça e janta e ainda joga metade da comida fora, que sobrou. Mas, para quem vive a pobreza neste país sabe o que significa uma criança tomar um café com pão com manteiga, sabe o que significa uma criança tomar um copo de leite, sabe o que significa uma criança ir dormir com a sua barriga cheia. Quem vive fazendo política só na capital ou na universidade ou quem fica fazendo política só em Brasília, não tem dimensão do Brasil real que nós enfrentamos"

Luis Inácio Lula da Silva

Negócio regular

por Fernando Nogueira da Costa

Devido ao pequeno destaque dado pela imprensa — desproporcional às manchetes escandalosas proporcionadas à denúncia que se provou ser “vazia” — poucos leitores tomaram conhecimento de que o Tribunal de Contas da União (TCU) considerou totalmente regular a operação de aquisição da carteira de crédito consignado do BMG pela Caixa Econômica Federal.
Os ministros, em decisão unânime, acompanharam o voto do relator, ministro Ubiratan Aguiar, pela improcedência da representação de um procurador e de um senador do PSDB. Este era um dos “bumbos” que a oposição batia, quase todos os dias, na CPI dos Correios. Entretanto, a verdade dos fatos acabou por predominar no julgamento do TCU. Segundo o relatório julgado, “de tudo o que foi exposto, conclui-se que não foram evidenciadas, nos autos, irregularidades atribuíveis aos gestores da Caixa Econômica Federal”.


O foco daquela Corte foi a atuação da Caixa na realização da operação, sob o aspecto da legalidade, economicidade e moralidade. Em resumo, ficou evidenciado que a operação tinha amparo legal, foi financeiramente vantajosa para a Caixa, ante o baixo risco envolvido nos créditos adquiridos e as taxas praticadas, consideravelmente superiores ao Certificado de Depósito Interbancário (CDI). Não se vislumbrou, também, qualquer indício de violação ao princípio da moralidade nas operações analisadas.

Vale lembrar que aquele senador achincalhou a honra, praticamente, de todos os servidores públicos que participaram da operação de aquisição de parte da carteira de crédito em consignação concedida pelo BMG aos aposentados. Eles foram acusados de “improbidade administrativa” até terem provado o contrário. Houve uma inversão da Justiça: o ônus de “buscar provas” recaiu sobre os acusados e não sobre o acusador. Este comprometeu, de forma leviana, a reputação profissional de pessoas honradas, deixando apreensivos familiares e amigos.
Embora as mencionadas operações de cessão de crédito tenham se conformado à prática do mercado amplamente seguidas pelos agentes financeiros, o processo de devassa que ocorreu na Caixa foi discriminatório contra um banco público, criando um risco de dano a sua imagem, no mercado. Não houve isonomia de tratamento, investigando também outros bancos que fizeram a operação semelhante. Imobilizou membros importantes de suas equipes técnicas no processo de defesa, prejudicando assim esse banco em face da concorrência.

Quase todos os dias, o senador aparecia no noticiário, fazendo um prejulgamento afinal não provado. Seu objetivo era fazer uma ilação política com uma acusação implícita absurda: a de que uma entidade nacional da respeitabilidade da Caixa Econômica Federal teria feito uma operação com o BMG que poderia envolver no final um valor de R$ 2,9 bilhões, em dezembro de 2004, para pagar suposto empréstimo de R$ 26 milhões do BMG ao Marcos Valério, para repasse ao Caixa 2 do PT, em fevereiro de 2003! Notar que tanto a diferença de tempo quanto a de valores são importantes para analisar a irracionalidade da acusação.

Esta acusação, sem apresentar nenhuma prova concreta de corrupção, além de atingir a honra de todos os servidores públicos que participaram da operação (empregados concursados estáveis), não se confirmou através de duas evidências racionais.A operação de aquisição de parte da carteira de créditos consignados nasceu de uma circunstância conjuntural — a crise do Banco Santos no final do ano de 2004 — e as tranches do acordo operacional iniciaram-se em 20 de abril de 2005 e continuaram de acordo com o volume de créditos alcançados. Portanto, elas tiveram uma periodicidade aleatória, estudada caso a caso. Não tinha nada a ver com um critério e/ou acordo político.

Inclusive o conhecimento público das operações de Caixa 2 citadas ocorreu no 2 semestre do ano passado (2005): será que o senador suspeitava que os diversos empregados da Caixa já tinham conhecimento antes, no final de 2004, “favoreceram o BMG” e se silenciaram? Se eles julgaram sob esse critério político, por que não emitiram então pareceres técnicos favoráveis a fazer a mesma operação com o Banco Rural?!

Infelizmente, a imprensa publicou manchetes escandalosas referentes a essa “comédia de erros” sem examinar se havia veracidade lógica nas acusações. Felizmente, essa denúncia vazia não terminou em uma tragédia pessoal para os profissionais honrados acusados, levianamente, por aquele parlamentar que desejava faturar dividendos políticos. Mas todo político que semeia ódio acaba não colhendo votos.


FERNANDO NOGUEIRA DA COSTA é vice-presidente da Caixa Econômica Federal.

É impressionante como a imprensa corporativa não dá o mesmo destaque para os fatos que desmentem as acusações dos partidos de oposição ao governo. Toda a imprensa insistiu de forma veemente nas irregularidades da operação entre Caixa e BMG, considerado um dos casos mais graves durante a crise. Artur Virgílio aparecia quase todos os dias no Jornal Nacional para "denunciar" o aparelhamento da Caixa Econômica Federal com o objetivo de favorecer o Partido dos Trabalhadores. Agora, o TCU deixa claro a regularidade da operação. A mídia volta a se calar.

Cada vez mais me sinto na Venezuela. Espero que o final seja o mesmo: Lula reeleito e as elites fazendo beicinho. Mas vai ser duro. Não vão largar o osso docilmente.
João

O histerismo de Heloísa Helena

por Fernando Soares Campo

Cão que ladra não morde — diz o ditado —, mas, com a aparência de ferocidade, muitos cachorros devem ter-se livrado de levar um chute, ou evitado que a casa do seu dono fosse saqueada. Entre os animais, essa coisa da teatralidade é bem mais comum do que imaginamos. E não estou me referindo aos animais amestrados ou adaptados à convivência doméstica. Etologistas garantem que, por exemplo, a cobra falsa-coral, não venenosa, muitas vezes assume um comportamento idêntico ao da verdadeira coral, venenosa, com o propósito de manter seus predadores afastados.

Desde tempos longínquos, aconselha-se que parecer é tão importante quanto ser; mas, para muita gente, a aparência chega a ser mais importante que a essência. O problema é que o mundo está cheio de ilusionistas tentando nos convencer de que suas bolhas de sabão ao vento são esferas de aço desafiando a lei da gravidade. A senadora Heloísa Helena (PSOL-AL), por mau exemplo, costuma cuspir uma seqüência de frases feitas, na tentativa de conferir a si própria a aparência de uma autêntica socialista-trotskista que abomina o governo de Luiz Inácio Lula da Silva. Heloísa Helena, que lutou para não ser expulsa do PT, hoje assume ares de quem abandonou o partido por vontade própria. Ela procura tirar o máximo proveito da crise política que se desencadeou contra o governo Lula, a partir de meados do ano passado.
Teatralizar não é propriamente um defeito; pelo contrário, é saudável que saibamos desempenhar nosso papel social, mas que o façamos com certa discrição. É importante compreendermos que a boa educação não é sinal de fraqueza, e que a franqueza exagerada não explicita uma lisura de caráter, uma virtude plausível, mas sim revela inabilidade para expressar opiniões.


O problema mais grave ocorre quando alguém, em nome de alguns aspectos razoáveis, extrapola a naturalidade, solta as feras e gosta dos resultados. Perde a consciência de sua teatralidade e, incentivado pela "platéia", passa a acreditar que aquele seu comportamento estilizado é o resultado da sua mais autêntica maneira de ser. As entrevistas da Heloísa a jornais e revistas geralmente estão assinaladas por observações editoriais que se referem aos seus momentos de exaltação, informando sobre a cólera que facilmente lhe assoma à alma quando o assunto é o governo Lula. A sua oposição não exprime simplesmente uma discordância quanto aos aspectos políticos, ideológicos ou administrativos deste governo. Ela incorporou a imagem de aguerrida militante política, fazendo de sua "personalidade" um ícone do marketing político. Heloísa Helena agora precisa demonstrar, a cada palavra, a cada gesto, que é uma "guerreira", pois a fizeram acreditar nisso.


Chico Buarque, em "Quem te viu, quem te vê", trata dessa questão. Vejamos esta estrofe:

"Todo ano eu lhe fazia uma cabrocha de alta classe
De dourado eu lhe vestia pra que o povo admirasse
Eu não sei bem com certeza por que foi que um belo dia
Quem brincava de princesa acostumou na fantasia "

Para quem se acostumou às suas próprias aparências, certamente deve ser muito difícil agir com o mínimo de naturalidade. Principalmente se essas aparências estão comprometidas com um público além de suas relações pessoais. No caso da Heloísa, com os seus eleitores. No plenário do Senado, Heloísa Helena se tornou o xodó da direita golpista, que lhe faz afagos, aplaudindo o seu histerismo verborrágico. Isso inflou tanto o seu ego que ela já não tem saída; mesmo que queira, já não dá para se comportar com, por exemplo, a combatividade elegante da senadora Ana Júlia Carepa (PT-PA), pois já não resiste aos ímpetos de uma explosão histérica.

Dia desses, assistindo à TV Senado, observei a senadora Heloísa Helena ocupando a tribuna. Ela parecia estar num momento de aparente equilíbrio emocional, porém o seu comportamento se assemelhava ao de um inveterado tabagista esforçando-se para conter o vício: o sorriso forçado, os gestos contidos, a fala pausada, a delicadeza artificial, entretanto tudo isso se traía pelo seu olhar apagado, apesar do brilho das lentes dos óculos. Imaginei que a histérica Heloísa poderia estar sedada, talvez por um xarope contra aquela tosse alérgica, da qual ela é acometida quando esbraveja contra o governo Lula. Mas não demorou muito para a professora cabra da peste das Alagoas apresentar os primeiros sinais de nervosismo: pigarreava, tossia seco, ajeitava insistentemente a blusa com ligeiros puxões; eram sintomas da síndrome de abstinência de histeria. Finalmente, Heloísa não agüentou e acabou acendendo... quer dizer, explodindo: Blá! Blá! Blá! Blablablá!!! (Tradução: "Este governo neoliberal é mais corrupto que o de FHC!", "Parasitas sem pátria do capital financeiro!", "Neo-isso, neo-aquilo".) E tome mais blablablá. Heloísa Helena teve uma recaída.

Recentemente o jornal Folha de São Paulo publicou fotos da senadora Heloísa Helena, candidata do PSOL à Presidência da República, assistindo a um jogo da seleção brasileira na residência da senadora Patrícia Saboya (PPS), ao lado do petista Eduardo Suplicy e do coronel eletrônico Tasso Jereissati (PSDB-CE). O fato irritou alguns militantes do PSTU, partido do candidato a vice-presidente na chapa da Heloísa. Um deles argumentou que aquela atitude expressava um relacionamento "promíscuo" com figuras da política conservadora, com os defensores da política "neoliberal do capital financeiro sem pátria", acusou. "Jogo do Brasil a gente assiste na companhia dos amigos", concluiu o decepcionado militante. Mas, se os seus correligionários acham que essa atitude da senadora fere os princípios da esquerda extremada e contraria seus inflamados discursos, quando ela costuma abominar "os tapetes dos salões e palácios da República", deveriam atentar para outras declarações bem mais contraditórias. Em entrevista ao Jornal do Brasil (em 03/07/2005), o cartunista Ziraldo a questionou sobre governabilidade e alianças partidárias:

ZIRALDO: É possível, nesse mundo capitalista, com essa poderosa ordem econômica internacional, governar sem fazer alianças?
HELOÍSA: A ordem jurídica vigente estabelece poderes imperiais ao presidente da República. Pra investir nas políticas sociais não precisa do Congresso Nacional.

Quer dizer, aquilo que Heloísa Helena condena nos governos "autoritários" é o que pretende fazer caso venha a ser eleita presidenta.

Assim como a senadora Heloísa Helena, também nasci e me criei no Sertão de Alagoas. Ela, em Pão de Açúcar; eu, em Santana do Ipanema, cidades distantes uns 30 km uma da outra. Apesar de toda a minha família ainda permanecer por lá, moro no Rio de Janeiro há muitos anos, porém mantenho relacionamento constante com meus amigos e parentes. Costumo ir de férias à minha Santana e, quase sempre, aproveito para passear na ribeirinha Pão de Açúcar da Heloísa Helena — à margem do rio São Francisco.Outro dia perguntei a um amigo meu se a senadora Heloísa Helena, quando fazia campanhas eleitorais pelo interior do Estado, teria subido num palanque em sua cidade natal e esbravejado contra o coronel Elísio Maia (hoje falecido). Elísio Maia era uma espécie de ACM da região do Baixo São Francisco, com a diferença de que este ainda se dá ao trabalho de discutir com alguns dos seus adversários; já os inimigos do coronel de Pão de Açúcar geralmente se calavam para sempre. A resposta do meu amigo não poderia ser mais sertaneja. Ele me disse: "Oxe! Ela num é nem besta! O boi sabe onde arromba a cerca".
Eu diria que, para a senadora Heloísa Helena, também cabe outro ditado: carroça vazia faz mais barulho.

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Foi mal na escola, cuidado com o seu Bolsa Família

por Alon

Um artigo do competetente economista tucano Gesner Oliveira, publicado na Folha de S.Paulo sábado último, é a síntese mais completa dos problemas do PSDB na busca de um discurso a respeito dos programas sociais que alimentam a popularidade de Luiz Inácio Lula da Silva. Começa pelo título: Perigos do esmolão.

Se você fosse pobre e recebesse um dinheiro mensal do governo para garantir uma renda mínima, como reagiria a alguém que descrevesse esse benefício como esmola? Ou, pior, como "esmolão", uma rotulação com objetivo nitidamente pejorativo? Mas o equívoco não se esgota no título, percorre o texto com desenvoltura. O objetivo do autor é advertir para "riscos" embutidos no Bolsa Família. O primeiro deles residiria "na baixa (para não dizer inexistente) condicionalidade para o recebimento dos benefícios dos programas agrupados no Bolsa-Família. O requisito de a criança freqüentar a escola é risível. Considerando a qualidade deplorável do ensino básico na rede pública, a mera freqüência é insuficiente para garantir que os recursos aplicados representarão de fato aumento de capital humano em favor dos mais pobres".

Em palavras mais simples, Gesner propõe que a freqüência escolar dos filhos não seja critério suficiente para as famílias receberem a ajuda. Bem, o único outro critério possível seria o aproveitamento escolar. Então, suponho eu, alguém pode estar pensando numa tabela de descontos no Bolsa Família, de acordo com o desempenho da criança no banco escolar. É uma proposta que certamente traria muitos votos para um candidato a presidente. Como piada, é engraçada. O menino (ou menina) chega em casa e dá a má notícia: "Mamãe, fui mal de Matemática neste bimestre, acho que só vamos receber metade do dinheiro do Bolsa Família neste mês. Desculpa, mamãe".

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terça-feira, julho 04, 2006

Os equívocos do voto nulo

por Antônio Augusto de Queiroz*

O clima de indignação de parcela importante do eleitorado nacional poderá levar pessoas sérias e bem intencionadas a cometerem equívocos de graves conseqüências, como o de votar nulo. O pressuposto para votar nulo, inteiramente falso, é de que, se 50% mais um dos eleitores anularem seus votos, o pleito também será nulo, devendo a Justiça Eleitoral convocar nova eleição no prazo de 20 a 40 dias. Nada mais falso. Os votos válidos, considerados para eleger presidente, governador, prefeito, vereador, senador e deputado, excluem os brancos e nulos.

Logo, o voto nulo não altera absolutamente nada para efeito de eleger e diplomar os eleitos, pelos simples fato de que não será considerado. A expressão "se a nulidade atingir mais de metade dos votos", invocada como condição para anular uma eleição, não se refere aos votos anulados no ato de votar, mas aos votos obtidos de forma fraudulenta ou viciada. Exemplo: se um candidato, contrariando a lei, doar, oferecer, prometer ou entregar ao eleitor, em troca do voto, bem ou vantagem pessoal de qualquer natureza, poderá ter seu registro cassado e todos os seus votos anulados. A eleição só será anulada, portanto, se mais de 50% dos votos forem obtidos por candidatos de forma fraudulenta ou viciada, o que, convenhamos, é muito pouco provável. Logo, votar nulo, antes de ser uma atitude de protesto, se constitui em omissão e também em alienação política.

O voto nulo, portanto, não é a solução. Além de um desserviço à democracia e à sociedade, é um ato inócuo como protesto político, mas que poderá ter conseqüências graves para a população, especialmente para a maioria pobre, menos organizada ou pouco informada sobre o papel dos titulares de mandatos nos poderes Legislativo e Executivo. Em lugar do voto nulo ou branco, recomenda-se o voto consciente. Pode-se votar em novos candidatos ou nos atuais, e entre os atuais há muita gente séria e decente. Entretanto, qualquer que seja a decisão, o eleitor deve sempre buscar conhecer os candidatos, suas idéias, sua trajetória política, seu compromisso com valores como democracia, ética, moral e, principalmente, com os interesses da maioria do povo. Os meios para fazer uma escolha consciente são muitos. E vão desde os sistemas de busca na internet, passam pela consulta a organizações da sociedade civil, até a leitura de periódicos, como jornais e revistas.

Vivemos numa democracia representativa e devemos conhecer muito bem as pessoas nas quais pretendemos votar ou a quem vamos dar uma procuração para nos representar, inclusive para cobrar atitudes, comportamentos e votos.

*Antônio Augusto de Queiroz é jornalista, analista político e diretor de Documentação do Departamento Intersindical de Assessoria Parlamentar (Diap).

segunda-feira, julho 03, 2006

Nota rápida de conjuntura nº 7

por Tarso Genro

Nota semanal produzida pelo ministro de Relações Institucionais


1. As pesquisas recentes da Datafolha e Vox Populi indicam o patamar real de disputa entre os dois candidatos "competitivos" à Presidência da República. A base social do Presidente está praticamente consolidada e a migração de votos dos candidatos "desistentes" move-se, num primeiro momento, em direção a Alckmin. Esta é a mensagem das pesquisas que, se não tiram o franco favoritismo do Presidente, constituem um precioso elemento de análise para uma estratégia de campanha, a ser considerada especialmente pelos partidos do campo da esquerda, que sustentam a reeleição de Lula: a pesada campanha anti-Lula e anti-PT, que transitou fortemente pela mídia durante um ano, surtiu efeito numa parte significativa dos setores médios e marcou consideravelmente o Governo.

2. É bom registrar qual a visão ideológica que pode dar sustentação política a uma "imunização" dos setores médios em relação a nossa mensagem. Acossadas pela insegurança, elemento hoje integrante do "modo de vida" de milhões, as classes médias são sensíveis a um "perigo externo": os excluídos, os marginalizados, os "pobres" que, segundo a visão dominante, constituem o meio social que gera o banditismo e a violência. Ora, "se Lula é o candidato dos pobres, Lula é um estranho para nós", pode pensar o cidadão médio que vive uma vida tensa e preocupada, seja em P. Alegre, em S. Paulo ou no Recife. Aliás, como Lula desenvolve políticas públicas de coesão social e combate à pobreza, as quais deslocam os mais pobres - inclusive setores empobrecidos das camadas médias - para a sua sustentação eleitoral, está pronto o ambiente para dizer que Lula está "dividindo a sociedade entre pobres e ricos". Ou seja - segundo esta visão absurda - "a divisão da sociedade" seria provocada pelas políticas públicas do Governo Lula (que reduzem as diferenças entre pobres e ricos). Não pela brutal desigualdade de renda que envergonha o país e é originária dos modelos de desenvolvimento, adotados desde a era Collor.

3. Devemos recordar, também, para que possamos fazer um debate de qualidade política, que a campanha contra o Governo Lula - baseada em erros graves cometidos especialmente por quadros do Partido - não foi somente contra Lula e o PT. Foram atingidos, sobretudo, os valores fundamentais da esquerda. As denúncias de corrupção não somente desgastaram politicamente o PT - que fora extremamente rigoroso quando na oposição - mas também atingiram os valores humanistas e igualitários da esquerda em geral, que foi acusada também de "inepta" por não aplicar uma "outra política econômica".

4. Como a oposição tucano-pefelista tentou atingir o Presidente com o tema da corrupção e não conseguiu, começam, agora, a atacar a questão dos juros e das taxas de crescimento, abrindo uma crítica à política econômica que antes diziam ser deles. Na verdade, embora a política monetária fosse semelhante - aliás aplicada hoje por todos os países endividados que não faliram - o conjunto, porém, da política econômica foi diferente. Os resultados estão aí para provar. É por causa destes resultados, aliás, que o candidato da oposição tucana não quer olhar para o passado. (Hoje, sábado, os jornais apontam com certa angústia que o "superávit" - embora apontem uma "gastança do setor público" - vai muito bem obrigado, frustrando os que pretendiam colar no Ministro Guido a pecha de irresponsável).

5. Não podemos deixar de cotejar, igualmente, como os governos FHC e Lula trataram a questão da corrupção. Aqui devem ser apontadas as ações da Polícia Federal contra a corrupção e o crime organizado, as ações da Controladoria da União, as ações da Procuradoria Geral da República. Tal cotejamento não significa justificar erros nem assacar ofensas pessoais contra adversários, mas significa comparar as condutas político-administrativas, inclusive referindo àquelas que impediram investigações importantes na época de FHC. Seria um erro, porém - em função da parcialidade de grande parte da mídia - cairmos no simplismo de que existe uma "conspiração" midiática contra nós. Se formos portadores desta visão confundiremos a nossa base de apoio, como se estivéssemos justificando condutas confessadas publicamente. A população sabe que a imprensa é majoritariamente contra Lula e que gostaria de ter Alckmim como Presidente, mas sabe, igualmente, que a liberdade de imprensa -mesmo que eventualmente sirva para caluniar - é imprescindível num regime democrático: ela ajuda a combater ilegalidades e abusos que qualquer governo tende a fazer (ou tolerar), independentemente da vontade do próprio Presidente da República.

6. Um outro "front" de disputa (que também refere à formação da opinião das classes médias) vem da afirmativa que, num segundo mandato, "Lula vai radicalizar". Confrontados com a queda do "risco Brasil", partindo de quem desenvolveu ou apoiou o mais deslavado populismo cambial, e que deixou as contas públicas num estado lastimável, os acusadores visam, na verdade, reexplorar um sentimento de insegurança. Este sentimento acossa parte do empresariado e dos setores médios, doutrinados pela visão neoliberal hegemônica passada pelos teóricos da Escola de Chicago e consagrada pelos mandamentos falidos do FMI. Para esta visão de mundo, todas as políticas que utilizam a força do Estado para distribuir renda são "populistas" e tudo que não esteja previsto no receituário do "caminho único", além de ser "aventura", opõe "pobres e ricos", perigosamente. Não é de surpreender que, com esta tradição de mimetismo colonial sintetizada pelos oito anos de governo FHC (sem política industrial e sem planejamento sequer de médio prazo) o Brasil tenha se tornado campeão mundial de concentração de renda.

7. Sem salto, sem raiva, mas com firmeza, encaremos a campanha que começou. Ela será mais um jogo de inteligência do que um duelo de trabucos. Todos os nossos números e todos os resultados sociais destes números, são melhores para nós.