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segunda-feira, março 13, 2006

Carta Capital com denúncia contra ACM some das bancas de Salvador

A DEMOCRACIA INVIÁVEL

O País do donatário ACM e do seu herdeiro está mais para a Idade Média

Por Mino Carta

Em longa e importante entrevista à The Economist*, o presidente Lula diz que a democracia está consolidada no Brasil. Permito-me discordar. Vivemos até hoje as conseqüências do golpe de 1964 e a dita redemocratização não passa de madrugada nevoenta.

Não é preciso espremer as meninges para entender que a democracia é inviável em um país tão desigual, onde o povo traz no lombo a marca do chicote da escravidão e a mídia se empenha compactamente para entorpecer os espíritos e obnubilar as consciências.

E a democracia é inviável onde não há partidos autênticos, e sim clubes recreativos dos donos do poder. Estamos às vésperas das eleições presidenciais e, pelo retrospecto dos últimos anos, já sabemos ser tolice esperar por mudanças substanciais, ganhem gregos ou troianos.

E a democracia é inviável onde ainda campeiam os coronéis de antanho, a se portarem como donatários da colônia. Caso destes dias, a reação do senador Antonio Carlos Magalhães, e do seu neto, digno herdeiro, à reportagem de capa da edição passada de CartaCapital, sobre o enorme prejuízo causado à Previ pela construção do complexo hoteleiro do Sauípe.

Afirma o senador que a reportagem resulta da manipulação de informações promovida pelos “ladrões do PT” e pelo “governo de ladrões” do presidente Lula. “A revista CartaCapital – bradou ACM da tribuna do Senado – vende seu espaço a qualquer pessoa que chegue ao seu balcão, e vende diretamente, através do senhor Mino Carta, que é um homem pouco sério, que tem uma vida difícil, que vive a enganar empresários e a vender-se ao governo.”

Enquanto isso, o redator-chefe de CartaCapital, Mauricio Stycer, recebia o telefonema de uma jornalista do UOL, queria saber que achava a revista a respeito de declarações de ACM neto, a confirmar as acusações do avô. Com um adendo revelador: CartaCapital é de propriedade particular de Luiz Gushiken, o ex-chefe da Secom.

Pergunta Mauricio: “E você, que disse?” “Disse – esclarece a repórter – que se trata de acusações gravíssimas, a serem provadas.” “E ele?” “Ele disse que não precisava provar nada para ninguém.” “Pois então – sugere Mauricio – publique o seu diálogo com o deputado.” O UOL não publicou coisa alguma. Quanto ao aprendiz de suserano, tem com quem aprender.

A esta altura do meu campeonato, é do conhecimento do mundo mineral que sou jornalista honesto e independente, acostumado às calúnias porque são freqüentes e se destinam a explicar o êxito de CartaCapital com o critério de quem o busca por outros meios. Quem sabe, eu pudesse ser rico, tivesse jogado conforme as regras do sistema. No entanto, até hoje preciso de salário para sobreviver. Rico, muito rico, é certamente o senador Antonio Carlos, e tenho a convicção de que o peso do seu poder o ajudou a amealhar fortuna.

Deixo para o deputado petista Emiliano José, da Assembléia baiana, a resposta aos ACMs. “Pretende-se – disse o deputado em discurso pronunciado terça-feira 7 – que CartaCapital seja uma publicação de canto de esquina. Não, é uma das mais sérias publicações da imprensa brasileira, e nem se diga, em nenhum momento, que tem qualquer contemplação conosco, com o PT ou com o governo Lula, que, quando há razões, são criticados.”

O próprio caluniador incumbe-se, porém, de confirmar o acerto da reportagem de Leandro Fortes sobre o mau negócio feito pela Previ no Sauípe, com o aval dos donos do poder baiano. Proclamou o senador da tribuna: “Qualquer coisa boa para a Bahia eu quero. Mas, se eu fosse da Previ, não faria um contrato tão grande quanto aquele”.

Ele insistiu, contudo, nas suas pressões junto ao Fundo, e pouco importa se foram nocivas para milhares de trabalhadores. De todo modo, a candura do senador é comovedora. Nem sempre os senhores são tão espertos quanto se imaginam. Certo é que estão mais para a Idade Média do que para uma democracia contemporânea.

*The Economist é aquela semanal inglesa cujo diretor, Bill Emmott, demitiu-se recentemente ao saber que Veja tem tiragem superior.

P.S.: Leitores baianos informam que a edição de CartaCapital está sendo retirada das bancas de Salvador. Alegação de um jornaleiro: “Erro de impressão”.

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