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quinta-feira, junho 29, 2006

A elite aturdida

por NORIAN SEGATTO

Reproduzido do site da CUT

Oficialmente, a campanha presidencial ainda não começou, mas há muito tempo parte da imprensa já fez sua escolha e se dedica a ela como bom cabo eleitoral das elites que desde sempre mandaram no país. A revista Veja, por exemplo, que pode ser acusada de muita coisa menos de imparcialidade, destacou o governo Lula em 45 capas desde janeiro de 2003, 42 das quais críticas. Outros, na mesma toada, colocaram acusações, suposições e mentiras no mesmo balaio.

No terceiro trimestre de 2005, a oposição esboçava todos seus dentes – de alegria pela série de denúncias e de esperança de voltar a cravá-los na rapadura do poder -, apregoava que o governo Lula tinha acabado e que a economia ia de mal a pior enquanto brindava com champanhe importada. Os meses se passaram, as CPIs produziram mais fumaça do que fogo e o Brasil chega a três meses da eleição com Lula mantendo larga vantagem sobre seu concorrente direto, Geraldo Alckimin, que não consegue empolgar ou convencer sequer seus correligionários.
Enquanto isso, a cúpula tucano-pefelista bate cabeça para tentar entender o que acontece. Como podem estar tão atrás nas pesquisas tendo importantes estados nas mãos, como São Paulo e Minas, após três CPIs que se tornaram palanques da oposição, com apoio de grandes interesses econômicos e com a maior parte da mídia comercial a seu favor? Uma das respostas pode ser encontrada em recente estudo realizado pelo economista Ricardo Paes de Barros, um dos mais respeitados pesquisados da realidade sócio-econômica do país.

Além da China
Baseado em dados do IBGE, Paes de Barros contabiliza os impactos de programas sociais, como o Bolsa-Família, entre a parcela dos 20% mais pobres da população. E a conclusão é incontestável: a renda da base da pirâmide social tem crescido a índices elevados. Apenas em 2004, a renda per capita desse segmento teve aumento de 12%, contra 3% da média nacional. Entre os 10% mais pobres, o impacto foi ainda maior, o poder aquisitivo subiu 16%, segundo estudos do economista.

Outro indicador utilizado por Paes de Barros é o índice Gini, que mede a concentração de renda. Entre os anos de 2000 e 2004, ele caiu de 0,597 para 0,574, ou seja, cerca de 1% ao ano, revertendo a tendência histórica de aumento contínuo da concentração de renda. No primeiro trimestre deste ano, a economia brasileira cresceu 1,4% em relação ao mesmo período de 2005, apontando para o crescimento do PIB em torno de 4% em 2006. Com os programas sociais do governo Lula, a parcela mais pobre da população terá um incremento na renda em torno de 13%, que representa mais do que o crescimento anual da China, o país que mais cresce no mundo.

Os mesmos “istas”
E, novamente, cai a máscara da hipocrisia da grande imprensa, sempre espelhando em suas matérias a voz da elite aturdida. Dez entre dez economistas, analistas, cientistas políticos ou os próprios políticos em carne e osso, concordam que a concentração de renda é um dos maiores problemas do país. No entanto, quando um governo popular resolve mudar essa tendência, são esses mesmos “istas” os primeiros a “alertar” a população sobre os riscos de tal decisão. Recentemente, o jornal Folha de S. Paulo em extensa matéria procurava mostrar os “perigos” dos programas sociais para o ajuste fiscal, o controle da inflação, o déficit público etc.

Enquanto a elite considerar distribuição de renda um perigo para ajustes macro-econômicos vai continuar batendo cabeça para entender o porquê dos altos índices de aprovação do governo Lula. Essa elite pode, eventualmente, até ganhar a eleição, mas está cada vez mais longe de conquistar os corações de milhões de brasileiros que descobriram nos últimos anos o que é ter carteira assinada e fazer três refeições por dia.

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