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segunda-feira, outubro 02, 2006

Globo silencia diante do crime do vazamento das fotos do dinheiro

Emissora não divulga gravação que comprova as intenções políticas do delegado Bruno ao entregar as fotos do dinheiro apreendido pela Polícia Federal e sua decisão de forjar um boletim de ocorrência para justificar o suposto “desaparecimento” do CD com as imagens.

Bia Barbosa – Carta Maior

SÃO PAULO – Jornalistas ouvidos pela Carta Maior neste sábado informaram que três jornais, uma emissora de rádio e a TV Globo possuem a gravação da fala do delegado Edmílson Pereira Bruno no momento em que ele entregou aos repórteres o CD com as fotos do dinheiro apreendido pela Polícia Federal. Na fita, o delegado diz “tá aqui. Agora vamos f... o governo e o PT” e informa à imprensa que, dali, iria forjar um boletim de ocorrência para justificar o suposto “desaparecimento” do CD com as imagens.

Em reportagem do Jornal Nacional deste sábado (30), o repórter César Tralli informa que o delegado afirmou que não divulgou as fotografias por vingança, mas por se sentir prejudicado pela Polícia Federal por ter feito as prisões daqueles que tentaram vender o dossiê contra José Serra e depois ter sido afastado do caso.

No entanto, em coletiva dada na tarde deste sábado, o coordenador da campanha eleitoral do PT à Presidência, Marco Aurélio Garcia, garantiu que os jornalistas que receberam as fotos sabiam da intenção do delegado Bruno de prejudicar o governo e a candidatura de Lula à reeleição.

"Temos absoluta certeza de que estas fotos foram passadas por um delegado a vários profissionais e, no momento em que foram passadas, foi dito por este delegado que o propósito dele era, sim, um propósito político e que ele pretendia prejudicar com essas fotos”, disse Garcia.
A TV Globo exibiu no Jornal Nacional este trecho da coletiva. Mas, logo na seqüência, o apresentador e editor William Bonner afirmou aos telespectadores que nenhum jornalista da emissora tinha essas informações.

Mas, segundo garantiu um funcionário da TV, a direção da Globo recebeu na tarde de sexta, mais de 24 horas antes, a fita que comprova as claras intenções políticas do delegado Bruno e sua iminente fraude de um boletim de ocorrência. Por que então não questionou a fala do delegado? Por que não colocou no ar a gravação com a sua declaração? Por que disse aos telespectadores que não sabia das intenções do delegado da PF?

Ao saber das intenções políticas do delegado, que não poderia divulgar as imagens, e que ele forjaria um boletim de ocorrência – ou seja, que um alto funcionário da Polícia Federal, com objetivos eleitorais, estava a caminho de cometer um crime – a única coisa que os jornalistas que receberam as fotos foram capazes de fazer foi se calar. A imprensa justificou a divulgação de imagens que quebraram um sigilo de justiça com base no interesse público. Mas “esqueceu” que também seria de mesmo interesse público informar seus leitores, ouvintes e telespectadores do crime que estava por trás deste “vazamento”.

Coincidências?Neste sábado, o candidato ao governo de São Paulo pelo PT, senador Aloízio Mercadante, também declarou que alguns veículos estão omitindo informações do público que podem prejudicar o processo eleitoral. A imprensa não divulgou o trecho do depoimento à Polícia Federal em que Hamilton Lacerda, seu ex-assessor, o inocenta de participação no episódio de compra do dossiê contra Serra.

"Ontem, o Hamilton Lacerda foi à Polícia Federal e disse que eu não tinha nada a ver com esse episódio e alguns veículos simplesmente omitiram essa informação. Pode até discordar da informação, mas não pode omitir", criticou Mercadante. "Vocês [jornalistas] correm o risco de fazer uma brutal injustiça em relação, não apenas à minha candidatura, mas a esse momento da história do país", disse Mercadante.

Quando Luiz Antônio Vedoin depôs à Polícia Federal na última semana e isentou Serra de participar da máfia das sanguessugas – apesar de acusar seu sucessor, Barjas Negri – a Folha de S.Paulo estampou a seguinte manchete no dia 22: "Vedoin isenta Serra do caso sanguessuga". A um dia das eleições, não pareceu importante à grande imprensa fazer o mesmo com Mercadante.

6 Comments:

At 2/10/06 12:36, Anonymous jose carlos lima said...

Vou fazer a minha campanha pedindo recontagem dos votos

E por acaso tu achas mesmo que vou acreditar na Rapunzel, aquela do Partido do Tribunal Superior Eleitoral

Seus grampos, sua tesoura

Até falsa comunicação de crime teve neste primeiro turno

Engraçado como estas pessoas, como ele mesmo, o Marco Aurélio de Mello, presidente do TSE, digo, Partido do TSE, comunica um crime e, no entanto, destrói as provas do tal crime

Senão vejamos: ele convocou uma entrevista coletiva da imprensa para informar que recebeu ameaças de morte via internet

Ele: recebi no meu email ameaça de morte

Jornalistas: cadê o email?

Ele: apaguei

Desde quando uma pessoa letrada, e ainda por cima presidente do TSE, não saber que, na ocorrência de um crime o local tem que ser preservado, as provas poupadas?

Risível se não fosse trágico tudo isso.
Leia este texto na íntegra no meu blog http://abandon.zip.net

 
At 3/10/06 01:30, Anonymous rodrigo said...

João, vc sabe que para obter credibilidade na notícia tem que haver a divulgação das fontes. Quem foram os jornalistas ouvidos pela Carta Maior? Sei que às vezes pode ser traição divulgar fontes, causando a perda destas, mas não acredito em fontes fantasmas.
Outra coisa que discordo é sobre as declarações do Mercadante, pois uma coisa é um Senador da Paraíba inocentar o Serra quando este era Ministro, outra coisa é o assessor. Na atual ciscunstância qual assessor não inocentaria seu candidato?

 
At 3/10/06 18:23, Anonymous Anônimo said...

Quem levou a eleição para o segundo turno não foi o desempenho,aliás lastimável, do Alckmin e sim a imprensa.Por que não se cobra a divulgação do conteúdo do dossiê?

 
At 4/10/06 23:25, Anonymous Anônimo said...

FUDEU FOI A CARREIRA DELE, ISTO SIM!

 
At 5/10/06 03:13, Anonymous Anônimo said...

Tudo bem... Mas, afinal, de onde veio o dinheiro?
Questões de influência de imprensa na eleição, parcialidade na cobertura são relevantes, mas não são o foco principal no momento.
O PT deveria se preocupar mais em fazer uma avaliação interna, pois ainda conta com bons quadros, parar de colocar o discurso político, no pior dos sentidos, acima de tudo, e dar sim uma real satisfação à sociedade brasileira.
Houve o fato. Urge uma explicação, o eleitor brasileiro já não é tão suscetível a discursos retóricos como antes...
Está aí uma segunda chance para o PT repensar...

 
At 10/10/06 23:27, Blogger Humberto Capellari said...

A verdadeira história do dossiê-armação

Um dia desses, recebi mais um destes emails não solicitados, enviado por algum cidadão de bem, indignado com "toda esta corrupção que envolveu o país, desde que a máfia petista assumiu o poder (sic)"...
Bem, acho que por terem visto meu endereço eletrônico nas cartas publicadas em jornais ( quando, na verdade, costumo descer o cacete na tucanalha ) , acharam que encontravam ali mais um de seus pares.
Eu não costumo responder a quem não conheço e que tenta estabelecer contato, mas, desta vez, não pude deixar para lá. E aí, desenvolvi a "verdadeira história do dossiê" que, sinceramente, acho que foi o que aconteceu.
E, canalhamente, enviei para as pessoas cujos endereços apareciam na mensagem que havia sido enviada. O cara deixou tudo à disposição.

Aí vai:

"Estimados,

Tomei a liberdade de, como vosso colega endereço@aasp.org.br, enviar emails não solicitados a pessoas que não conheço e nunca vi.
Trata-se da resposta à conclamação cívica pela troca da "máfia" atualmente no poder por uma melhor apresentada pela imprensa.
Aproveitem!!!

"Já que suposições todos podemos ter, aí vai a minha: os Vedoin ofereceram a Abel Pereira, Serra e Barjas Negri documentos que deveriam ser entregues à PF ou à CPI. Abel topou comprar estas provas (crime 1) - Deve-se considerar que existem 2 contatos telefônicos de Vedoin registrados no telefone de Abel, no dia da entrega do "suposto dossiê" aos petistas.
Acontece que Abel deve ter proposto o seguinte, já conhecendo as boas relações que Serra tem na PF e na Abin: agentes da PF informam aos tucanos o monitoramento dos telefones dos Vedoin. Estes podem saber disso ou não. Abel oferece dinheiro para que estes contatem membros das campanhas petistas, prometendo fornecer a estes provas contra Serra e Alckmin. Os Vedoin entram em contato com os petistas, pelos telefones grampeados. A banda boa da PF fica sabendo de tudo e arma a cama-de-gato. A compra é combinada. Abel garante a bolada que apareceria, depois, nas capas dos jornais, vazada por um amigo na PF. Os petistas carregam um notebook para assistir um DVD apontado como uma das provas e 25 mil dólares para a aquisição do DVD e do suposto dossiê que não seria, de fato, verdadeiro.
A PF pega a "operação" no flagra. Os Vedoin participaram da farsa como beneficiários de algum acordo envolvendo a já famosa "delação premiada".
A mídia explora o caso à exaustão, omitindo a parte que incomoda os tucanos.
Está dado o golpe."

OBS: Vale lembrar de uma história ( que foi publicada em 2001, na Carta Capital )que correu há tempos: um dossiê montado por agentes da Abin na Anvisa ( subordinada ao Ministério da Saúde), e que teria como alvo o ex-ministro Paulo Renato, detalhando suas atividades no BID, incluindo quando intercedeu por um empréstimo para o Estado de São Paulo, no gov. Fleury, para a despoluição do Tietê. A obra foi gerenciada pela Hidrobrasileira, do CAIXA DE CAMPANHA de FHC, Sérgio Motta. O Senador FHC defendeu o projeto e o relator foi um cidadão do PFL, que acabou se tornando posteriormente líder do governo Fernando Henrique Cardoso.
O elo se fecha.

 

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