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terça-feira, junho 06, 2006

Livro sobre Lula

LULA, O INÍCIO

A infância pobre, as greves, a prisão e as origens do PT: 25 anos depois, o livro-reportagem de Mário Morel é relançado e mostra como o Presidente espelha - ou não - o metalúrgico

Onde Lula chegará só Deus e a Lei de Segurança Nacional sabem”, dizia a orelha do livro Lula, o metalúrgico — Anatomia de uma liderança, publicado pela Nova Fronteira em 1981. Vinte e cinco anos depois, com Lula presidente do Brasil, eleito pelo Partido dos Trabalhadores que ajudou a fundar, este livro se transformou num documento histórico e jornalístico excepcional. Daí seu relançamento pela Nova Fronteira, com o título Lula - O início: além das entrevistas e perfis originais, o livro traz uma apresentação assinada pelo jornalista Alberto Dines e um novo prefácio de Mário Morel, que contextualiza a reportagem feita em São Bernardo, além de um caderno de fotografias com 16 páginas e de um apêndice que resume a trajetória posterior dos principais personagens citados. É uma leitura fundamental para quem quiser entender as origens do fenômeno Lula e de que maneira o seu passado se espelha — ou não — no seu presente, sobretudo neste momento em que o PT enfrenta a mais grave crise de sua história.


A culpa foi do papa João Paulo II. Na sua visita ao Brasil, em julho de 1980, ele conversou com Lula e Marisa em pleno Morumbi. Um Lula recém saído da prisão, afastado do seu sindicato, um líder operário que enfrentava a ditadura militar. A imprensa deu destaque ao encontro. E começaram as minhas dúvidas: quem era este operário que ficou famoso quando liderou uma greve vista ao vivo e a cores pela televisão? O “Partidão” (PCB) não gostava dele nem dos padres que estavam ao seu redor. Os estudantes e alguns intelectuais paulistas já o idolatravam. Para uns, era um operário de esquerda, para outros, um esquerdista-operário”, lembra Morel no texto da introdução.

O autor conta que muitas vezes recebeu Lula e outros líderes sindicais no hotel onde estava hospedado. Ali ele os entrevistava, informalmente, sentado no chão e acompanhado de uma garrafa de uísque. A movimentação chamou a atenção do governo militar:

“Todos os dias, quando eu voltava para o hotel, meus papéis que ficavam em cima da mesa estavam remexidos e fora de ordem. Era cansativo ter de arrumar a bagunça dos outros para transformá-la na minha bagunça, aquela que só eu entendia Deixei um bilhete em cima dos papéis: ‘Estou escrevendo um livro sobre a vida do Lula para a Editora Nova Fronteira. Pode olhar, tirar cópias à vontade. Só peço a gentileza de não desarrumar e deixar na ordem em que estava.’ Atenderam ao pedido. Até o fim do meu trabalho deixaram que a bagunça fosse apenas a minha”.

Além de contar os anos de formação de Lula e reconstituir sua ascensão como uma das maiores lideranças do país, o livro traça perfis de pessoas importantes que cercavam o então torneiro mecânico: Frei Betto, que conheceu Lula trabalhando nas Comunidades Eclesiais de Base e foi o intermediário das entrevistas de Morel; “frei” Chico, irmão mais próximo de Lula, que se opunha à criação do PT; o líder metalúrgico Nelson Campanholo, o Nelsão; Jacó Bittar, um dos fundadores do PT; dona Marisa, mulher de Lula e sua companheira em diversas manifestações políticas.


O livro recupera a infância de Lula, a migração de sua família para São Paulo, sua dificuldade de relacionamento com o pai, seu primeiro emprego, o acidente que o levou a perder um dedo no torno, sua entrada para o movimento sindical, sua prisão por causa das greves no ABC paulista. Mostra, ainda, o que o presidente pensava há 25 anos, quando um recém-nascido PT sonhava com o poder, mas sem ter idéia de quando e como chegaria até ele.

Há passagens que se tornaram curiosas com a passagem dos anos. Como aquela em que Lula fala sobre Reforma Agrária:

“Por que a gente está dando ênfase na questão da reforma agrária? Porque nós achamos que a reforma agrária viria solucionar uma série de problemas. A partir do momento em que tivéssemos no Brasil a reforma agrária, a gente dando trabalho pro homem do campo, dando terra pra ele trabalhar e condições pra trabalhar, a gente iria ter em primeiro lugar uma superprodução de alimentos que viria a facilitar o processo de exportação. O mundo está muito mais carente de alimentos no momento do que de automóvel. Iríamos ter um povo bem alimentado a partir dessa superprodução. Poderíamos exportar e ao mesmo tempo alimentar o nosso povo, ao contrário do que fazemos hoje: exportamos e não alimentamos o nosso povo”.

Sobre sua autonomia e liberdade de pensamento, Lula afirmou:

“Eu jamais permitirei que façam a minha cabeça. Primeiro porque me considero um cara muito equilibrado. Segundo porque nunca tomo uma posição só porque outras pessoas querem que eu tome. Eu posso trilhar com um grupo de companheiros desde que as idéias não surjam de uma pessoa, mas sim de um consenso. Eu não tenho medo disso. Eu não sou um cara muito chegado às definições ideológicas. Eu gosto de fazer as coisas a partir da minha prática. A partir das minhas possibilidades. Eu não quero saber o que Marx fez, o que Lenin fez, o que Engels fez. Eu não quero saber porra nenhuma disso. O que Trotski fez, eu não quero. Eu quero saber o que eu posso fazer. Se às vezes as coisas coincidem, ótimo; se não coincidem, ótimo. Não estou preocupado em saber o que eles fizeram, o que eles propuseram, e não puderam fazer. Eu quero saber é a partir da minha prática o que eu posso fazer.”

E sobre o futuro:

“Hoje temos muito mais inimigos do que antes. A cada dia que passa o governo e os empresários colocam muito mais obstáculos na nossa sorte. A cada ano que passa as coisas vão ficando mais difíceis. A política salarial, a recessão, o desemprego, a seca no nordeste, o êxodo rural crescendo cada vez mais. Tudo isso depõe contra a gente. Eu tenho consciência hoje de que para a classe trabalhadora fica muito mais fácil ela conquistar as coisas numa situação de pleno emprego, onde a procura seja menor do que a oferta. Pois, caso contrário, sempre assustará o trabalhador o fato dele saber que existem vinte caras pra ocupar o lugar dele, quem sabe, por um salário pela metade. Tudo isso conta, tudo isso pesa. Eu sempre disse aos trabalhadores que a nós só restam duas alternativas. Ou ficar quieto e morrer de fome, ou lutar pra não morrer de fome”.

Lula - O início conduz o leitor numa verdadeira viagem ao passado - que ajuda a entender os caminhos seguidos por Lula nos últimos 25 anos e os descaminhos do PT após chegar ao poder.


SOBRE O AUTOR:
MARIO MOREL nasceu em Santos, São Paulo, em 1937. Atuou como jornalista desde muito cedo, trabalhou no jornal Última Hora, entre outros, e foi um dos pioneiros do telejornalismo no Brasil, na TV Excelsior e na TV Rio, ao lado de Walter Clark, no início dos anos 1960. Dirigiu o programa Sem Censura, na TV Educativa, nos anos 1980 e atualmente dirige o programa Olhar 2005 na mesma emissora. Publicou, em 1981, o livro “Lula o metalúrgico: anatomia de uma liderança”, pela Nova Fronteira.
Informações para a imprensa:
Approach Comunicação e Eventos
Christiana Rocha Miranda –
christiana@approach.com.br
Tel: 21. 3461-4616 ramal 110
www.novafronteira.com.br

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