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sexta-feira, maio 05, 2006

A crise na Bolívia e os pretensos nacionalistas

O tucano Tasso Jereissati, o banqueiro-pefelista Jorge Bornhausen e uma numerosa lista de articulistas da mídia brasileira, entre outros saudosos do entreguista FHC, viraram nacionalistas num passe de mágica. Foi só o presidente Evo Morales cumprir a sua promessa de campanha de nacionalizar a produção do petróleo e gás na Bolívia para que saíssem aos berros em “defesa dos interesses nacionais” e contra os esforços do presidente Lula de integração dos povos latino-americanos. O mesmo bumbo também tem sido batido por Condolessa Rice, secretária de George Bush, e pelos especuladores de Wall Street, todos preocupados com o patrimônio brasileiro. A mídia hegemônica, sempre venal, repete o refrão e ainda faz terrorismo!

O súbito “nacionalismo” dos discípulos do Tio Sam é sórdido. Eles nem se deram ao trabalho de explicar o decreto do governo boliviano. Nele não há nenhuma palavra sobre a desapropriação unilateral de bens e propriedades do Brasil. Na verdade, o decreto 28.701, de 1o de maio, apenas materializa as diretrizes da Constituição do país e reafirma a Lei de Hidrocarbonetos. Para Fernando Siqueira, diretor da Associação dos Engenheiros da Petrobrás, “o que Evo Morales propõe não é o arresto de bens e ativos da companhia, mas uma repartição mais vantajosa nos royalties do gás. Se a Petrobrás tiver cabeça fria e competência para negociar, não haverá problemas maiores. O Brasil é o melhor mercado para o gás boliviano”.

A intenção dos falsos nacionalistas é também a de criar um clima de pânico na população. A mídia, com o seu sensacionalismo abjeto, espalha o fantasma da iminente crise de abastecimento no país. É certo que o Brasil traz da Bolívia quase metade do gás que utiliza, mas o seu uso é residual no país. Ele serve para a geração de energia elétrica (apenas 2,14% do total), combustível de veículos (1,25% da frota nacional) e insumo industrial (menos de 2% das empresas). Na prática, mesmo que o governo da Bolívia cessasse a venda de gás, não haveria maiores transtornos para a economia nacional. E o presidente Evo Morales já garantiu que não haverá cortes no abastecimento – até porque não pretende cometer suicídio econômico. Como se observa, a repugnante manipulação dos falsos nacionalistas tem outros motivos. Visa desgastar o governo Lula num ano eleitoral, implodir as negociações para a integração soberana da América Latina e ressuscitar a Alca – o projeto neocolonial dos EUA. É evidente que a decisão da Bolívia coloca novos desafios para o Brasil – a negociação do preço do gás, a preservação do patrimônio e investimentos da Petrobrás e, principalmente, os caminhos da integração regional. Até agora, o governo Lula tem adotado um comportamento exemplar, não se dobrando nem ao terrorismo midiático, nem ao hipócrita arroubo nacionalista da direita neoliberal. Além de defender a soberania do “sofrido povo boliviano”, ele não recuou no seu projeto estratégico da unidade latino-americana. Mas os passos neste rumo, iniciados heroicamente por Simón Bolívar, ainda exigirão muita firmeza e habilidade.
http://www.vermelho.org.br/base.asp?texto=1548

1 Comments:

At 6/5/06 00:08, Anonymous jose justino de souza neto said...

Não considero esses indivíduos chamados Tasso Jereissati e Jorge Bornhausen como discípulos do Tio Sam. No meu ponto de vista eles agem como SERVIÇAIS ou LACAIOS do Tio Sam. Eles fizeram coro com aquela secretária do Bush, que vomitou ameaças contra os paises da America Latina que ousam desafia-los ao reivindicar a soberania sobre seus próprios recursos. A secretária, de nome absconso, tem fortes ligações com as corporações petrolíferas privadas. Não é dificil de entender porque os serviçais dessas grandes corporações, aqui no Brasil, estão tão irritadiços.

 

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