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terça-feira, outubro 10, 2006

Alckmin, o boneco de pano foi traído pela velocidade

por Renato Rovai

Foi até engraçado ver o Alckmin fazendo aquele papel de moleque briguento para convencer os eleitores de Lula de que ele não é um boneco de pano com gosto de nada. Que sabe falar grosso e dar piti, ser barraqueiro. Pois é, até que funcionou no primeiro bloco, mas depois...
Alguns detalhes que a arrogância paulista do comitê de análise tucana incrustada na mídia não vai perceber é que Alckmin falou só para os de cá, da beira do Tietê e do Pinheiros, mas só para os do lado de cá da ponte.

O povo mineiro e carioca, sem falar os nordestinos, com quem conversei, ficou pasmo com o tom e a arrogância. Primeiro, porque parecia um grilo falante, tagarela, paulistão, completamente paulistão.

A vitória de Lula neste debate se deu nos detalhes. O primeiro, se o PV vier a apóia-lo depois da defesa publica de Angra 3, é o fim da linha. A segunda, é que citar Santo Agostinho, e tratá-lo como guia de conduta, é dizer adeus aos votos protestantes. Dizer que de Febem entende ele, que esteve lá esses anos todos, faz com que ele se dê ao trabalho ao menos de explicar por que processa Conceição Paganele e Ariel de Casto Alves, militantes da sociedade civil que apontam maus tratos e torturas em unidades desse sistema carcerário da juventude paulista.

Sem falar do debate a respeito de política externa. Para quem entende do riscado (cada macaco no seu galho), foi um banho de Lula, que jogou Alckmin no colo de Bush. Lula mostrou a diferença entre a concepção do PSDB-PFL e a aliança PT-PSB-PCdoB. Só resta aos eleitores ideológicos de Heloísa Helena ou votarem, mesmo de narizes tapados, pelos interesses dos governos populares da América Latina (Bolívia e Venezuela, por exemplo) ou caírem no colo de Bush, e sua política golpista e de guerra.

Bem, mas vamos ao óbvio. O leitor vai cansar de ouvir que Alckmin deu um banho. Pura bobagem dos midióticas de plantão. Como disse um amigo carioca, parece que deram uma hóstia batizada para o boneco de pano paulista, que só falou de São Paulo, de uma São Paulo elitista, patética, das avenidas endinheiradas, das falcatruas contra o povão. Da São Paulo injusta, de um reino de hipocrisia, daquele Borba Gato que dá as costas para o outro lado do rio. Da Daslu e seus riquinhos, dos inúmeros helicópteros que dançam sobre os prédios da Faria Lima, dos bacacas que ficam acelerando seus carros e matando inocentes na beira nos pontos de ônibus. Daquela São Paulo que ignora o Brasil, daquela São Paulo tacanha que se acha melhor do que a Argentina, quanto mais do que o resto do Brasil.

Podem acreditar, amigos brasileiros não-paulistas, há um Estado de São Paulo melhor do que essa verve estúpida do discurso de Alckmin. Do que esse aceleramento arrogante, do que essa coisa de que São Paulo é o supra-sumo do Brasil.

Há uma São Paulo brasileira e mais generosa, menos ingrata e canalha. Isso mesmo, canalha.

2 Comments:

At 10/10/06 18:49, Anonymous jose carlos lima said...

Cont... causou-me estranheza constatar que as capas das revistas Veja e Época estavam com a mesma capa. Pensei: engraçado, as revistas guardam absoluto segredo as suas capas. É a lei da concorrência. No entanto esta lei foi quebrada nesta semana. As capas das duas mais importantes revistas trazem a mesma fotografia de Alckmin. Agora entendi o motivo de tal "concidência". Tais capas são, na verdade, arte-final destinado a outodorss do candidato do consórcio conservador PSDB/PFL. Isto é ilegal. Conforme consta no site www.pt.org.br, o PT já entrou com ação judicial junto ao TSE para que a Veja retire os tais outodoors que, na verdade, é propaganda eleitoral disfarçada de revistas transormadas em comitê elitoral. Eduardo, aonde estamos? Onde vamos parar com tamanha bandalheira midiática? Cabe aos estudantes, organizações e a todo nós, de forma organizada, assumirmos o compromisso de denunciarmos mais esta tramóia contra a candidatura Lula.Que o povo vote ciente do que está ocorrendo.

 
At 10/10/06 23:17, Blogger Humberto Capellari said...

Wolverine
Alckmin foi mesmo "melhor" que Lula no primeiro debate? Pelo que tenho percebido por aí, muitos pensam que sim.
Acontece que, no afã de tentar "turbinar" a campanha do tucano, certos "formadores de opinião" têm se apoiado no expediente de destacar a forma (agressividade) em detrimento do contúdo necessário ( projetos, assertividade )Alckmin teria, pois, "surpreendido" por sua "agressividade" dirigida ao candidato Lula. Por quê, afinal, a surpresa ?
O convívio com ACM, Bornhausen e Artur Neto, entre outros, só poderia dar nisso.Os instintos primitivos afloraram em Geraldo, e só faltou ele falar em dar uma surra em Lula. Como nos velhos tempos, quando o senhor exigia a total submissão do escravo, senão o couro comia.
O petista, por sua vez - e a despeito de um alegado "nervosismo" que lhe teria acometido, coisa que "não" costuma nos acontecer quando estamos diante de câmeras de TV - jogou de forma inteligente: usou o debate para apresentar ao Brasil ( aquele fora das fronteiras bandeirantes ) ou nos relembrar de alguns episódios constrangedores ou desabonadores protagonizados por PSDB/PFL, e fazendo o papel que a imprensa não tem feito ( e não será agora que o fará ), em relação a estes partidos.
A menos que possamos considerar a "truculência exaustivamente ensaiada" uma tática argumentativa aceitável - e que possivelmente seguirá conduzindo a campanha tucana - Lula não terá do que se lamentar quanto à sua performance no debate, apesar do que se tem dito nos meios de comunicação.

 

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