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quinta-feira, janeiro 25, 2007

RAZÕES DO ÓDIO



A maioria dos eleitores brasileiros optou por reeleger o Sr. Luis Inácio Lula da Silva Presidente da República. Por que essa opção afetou tanto o imprensalão? Ao ler a entrevista do escritor argentino RICARDO PIGLIA na Revista "ENTRE LIVROS" (no.21, ano2, pg.18) encontrei um trecho muito interessante numa de suas respostas ao entrevistador:

EL - "Pensando naquela idéia sua de que ler é o ato máximo de afirmação da solidão, estaria nossa solidão ameaçada diante desse possível fim da literatura?"

PIGLIA - "Justamente, esse possível fim da literatura está relacionado ao possível fim de um lugar mais pessoal, substituído por essa espécie de memória ou experiência coletiva a que estamos sujeitos na cultura de massas. Nada custa pensar que é esta a aspiração da publicidade e da televisão: que todos pensem o mesmo, digam o mesmo, sintam o mesmo, digam o que sentem com as mesmas palavras. Esta é a utopia do capitalismo: que todo mundo se pareça e, em consequência, que todo mundo saiba o que comprar. Mas não podemos imaginar que a sociedade conseguirá impor esses critérios unânimes e uniformes. As resistências a essa generalização são múltiplas (...)"

Acredito sinceramente que as palavras do escritor Ricardo Piglia são válidas para todo o universo literário. Neste universo, o trabalho jornalístico é o mais difundido e, atualmente, aquele ramo que mais se submeteu aos interesses empresariais vinculados a partidos políticos de direita. A imprensa, como concessão pública, não tem o "direito" de mentir e omitir para apenas atender os interesses de uma classe minoritária parasita ou um grupo de patrões comprometidos com o capital estrangeiro. O imprensalão é hoje apenas um veículo de propaganda e contra-propaganda da classe que se locupleta com as vantagens do neo-capitalismo. Seu ódio de classe, seu falso moralismo e sua arrogância quando se considera como a "opinião pública" foram percebidos e julgados pelo povo brasileiro. Finalmente, por trás da "indignação" do imprensalão pela vitória do operário está o medo pavoroso da maioria do povo descobrir que o Capitalismo, seja ele "neo" ou não, é o principal responsável pelas desigualdades econômicas, pela miséria e pelas guerras "anti-terroristas".