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sexta-feira, outubro 20, 2006

Como FHC enterrou a CPI da Corrupção - 11/05/2001

CARTAS ÁCIDAS (copiado do site http://agenciacartamaior.uol.com.br)

Antecipando o próximo livro do jornalista Bernardo Kucinski, que incluem as Carta Ácidas publicadas durante o governo Fernando Henrique Cardoso, Carta Maior passa a rememorar aqueles anos de apogeu do neoliberalismo no país, que agora ameaça retornar com toda força. Neste primeiro texto, de 11 de maio de 2001, o articulista conta 'como FHC enterrou a CPI da Corrupção'.

Sexta-feira 11 de maio de 2001

A blietzkrieg das lideranças conservadores contra a instalação da CPI da Corrupção foi operacionalmente competente. Daí sair retrato na mídia de hoje de uma oposição parlamentar derrotada e confusa. O governo [FHC] venceu porque fez o diagnóstico correto e agiu com sangue frio. Avaliou que à medida em que os dias se passavam, crescia o clamor popular pela CPI e aumentavam os seus riscos. Na quarta de manhã, o sinal vermelho: com o título “CPI não é bicho papão”, o mais fernando-henriquista dos jornais de referência nacional, o Estadão, aderiu à tese da CPI em seu editorial principal.

Era preciso agir depressa. O governo pegou a lista dos parlamentares na quarta, logo que foi divulgada pela oposição, localizaram os suscetíveis de serem comprados, e fecharam todo o processo em 24 horas. Para ganhar tempo e não correr nenhum risco, ‘fecharam’ o Congresso. Em essência, foi isso o que aconteceu. Um golpe, como nos velhos tempos da ditadura. FHC inspirou-se no general Geisel, que no dia 2 de abril de 1977 fechou o Congresso ‘provisoriamente’, para editar o ‘pacote de abril’, que alterou profundamente as regras do jogo político, com 14 emendas à Constituição, três novos artigos, e seis decretos-leis.

Desde ontem, os jornais vem relatando o enorme esforço de FHC em sustar a CPI . ‘Valor’ contou como Bornhausen foi mobilizado pelo Palácio numa última tentativa de reverter a situação. A reportagem prevenia que ele ia chantagear ACM, dizendo-lhe que, se seus seguidores não retirarem as assinaturas pela CPI, ele seria abandonado, pelo governo e pelo PFL, no julgamento do caso da violação do painel. O JB disse que Bornhausen ameaça de expulsão os 16 deputados do PFL que assinaram a CPI. Um relato ainda mais dramático do empenho de FHC em impedir a comissão estava na coluna de Ariosto Teixeira no Estadão. Diz Ariosto que FHC ‘lançará todos os recursos disponíveis para impedir a instalação de um inquérito no qual só vê aspectos negativos (...) não descarta lances como a dissolução de todo o ministério.’

O golpe da suspensão da sessão do Congresso foi articulado por FHC e Jader Barbalho para dar tempo ao governo. Tudo isso está contado com riqueza de detalhes pelos jornais. Fernando Rodrigues, na Folha, diz que se trata de uma super operação abafa e descreve os tipos de preço que os congressistas fisiológicos estão cobrando. Em dois dias o ministro Aloysio Nunes Ferreira, que está controlando a operação, já liberou R$ 26 milhões para emendas de congressistas, diz a reportagem. Todo esse esforço é revelador do medo que o governo tem de uma CPI e reforça a suspeita de que coisas muito feias ainda estão para serem descobertas.

Os tucanos agiram a partir da tese de que todo o mal que as operações abafa poderiam causar já estava feito. Então era melhor enterrar a CPI. Mas essa tese pode estar errada. Ocorre que a blietzkrieg de ontem precisou antes de um grande acordo entre todos grandes acusados de malfeitorias e corrupção, incluindo ACM e Jader.

A mídia está chamando esse acórdão de ‘recomposição’ da base aliada. As conseqüências a médio e longo prazo, portanto, são o escamoteamento dos inquéritos em andamento e tentativas de absolvição de ACM e Jader. Uma grande ‘pizza’, que desmoralizará todo o campo conservador. Além disso, a crise não acaba, apenas muda de palco e de cenário.

Atos falhos de FHC
O discurso de FHC de ontem em Mato Grosso do Sul é uma peça admirável para o estudo do papel do subconsciente e da mentira na construção do discurso político. Aloizio Mercadante o havia acusado de violar o artigo 20 da Lei do Orçamento. E o deputado do PCdoB de Brasília, Agnelo Queiroz, entrou com queixa-crime contra o presidente. Pois bem, ontem, no seu discurso em Mato Grosso do Sul, Fernando Henrique disse que ‘não pratica crime’ e que ‘não barganha verbas’. É exatamente o que ele fez.

Não foi apenas uma demonstração de cinismo. Como ele não precisava dizer nada daquilo, a explicação deve ser mais profunda, mais freudiana. Foi como se ele tivesse que dizer ‘faço sim e danem-se todos porque a política é assim mesmo’. Uma interessante e sofisticada confissão de culpa, na forma de uma negação da própria culpa.

Bernardo Kucinski, jornalista e professor da Universidade de São Paulo, é editor-associado da Carta Maior. É autor, entre outros, de “A síndrome da antena parabólica: ética no jornalismo brasileiro” (1996) e “As Cartas Ácidas da campanha de Lula de 1998” (2000).



A direita tenta de todas as formas apagar da memória da coletividade os fatos históricos nos quais se envolveram, principalmente nos crimes considerados de lesa-pátria. Essa tentativa de induzir ao esquecimento ou à deturpação da História é constante e faz parte de sua estratégia de poder. Muitos nossos compatriotas insistem em afirmar que um dos problemas de nosso povo é não ter memória histórica. Assim, ficamos condenado a repetir as mazelas política que nos pertubam durante várias gerações. Felizmente, isso já acabou. Este texto do Bernardo Kucinski reforça nossos argumentos a respeito da "práxis" tucana e sua vocação irresistível para a corrupção.

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